Transtejo chega a Algés ainda sem certezas do abate previsto de quatro navios

Transtejo chega a Algés ainda sem certezas do abate previsto de quatro navios

O concelho de Oeiras passará a ser ligado de barco entre Porto Brandão e Trafaria, em Almada, e Belém, em Lisboa. Depois de testar a travessia por seis meses, o presidente da Transtejo assume à RTP Antena 1 a vontade de reforçar a oferta. No entanto, continua a incerteza sobre a frota, que poderá contar com menos quatro embarcações antigas até ao final do ano.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Gonçalo Costa Martins - Antena 1

A ligação fluvial no rio Tejo que era um “triângulo” passará a ser um “quadrado”. A Transtejo inicia esta quinta-feira um prolongamento da travessia Trafaria - Porto Brandão - Belém. A nova paragem será na Doca de Pedrouços, em Algés.

Estamos a falar de uma ligação existente, acrescentamos-lhe um ponto”, explica Rui Rei, presidente da Transtejo, sublinhando ao mesmo tempo que há uma “ligação nova”, que é Pedrouços/Algés - Trafaria.

Em declarações à RTP Antena 1, assume que será dada “grande ênfase à manhã e ao fim do dia” nos horários para “começar a testar a operação, a necessidade dos passageiros”. E não esconde ambição de ser uma alternativa aos autocarros e aos comboios que atravessam a Ponte 25 de abril.

“Temos factos evidentes dos milhares de pessoas que moram na margem sul, nomeadamente em Almada e trabalham em Oeiras e em Lisboa, e que usam muito o autocarro e o comboio para vir para este lado da fronteira entre Oeiras e Lisboa”, diz Rui Rei, ao considerar que esta ligação da Transtejo “é muito mais eficiente e muito mais rápida para as pessoas”.

O arranque acontece por volta das 16h30 desta quinta-feira, a tempo de servir os festivaleiros do NOS Alive - haverá inclusive viagens gratuitas no final da noite para a Trafaria e para Cacilhas e Cais do Sodré.

Passados estes dias focados no evento, a Transtejo vai “testando e afinando a oferta” nos seis meses de experiência. “Não teremos dúvidas que ajustes vamos ter que fazer, e vamos ter que aumentar a nossa oferta a prazo”, admite Rui Rei.

Segundo o responsável da empresa fluvial, para que a Doca de Pedrouços recebesse barcos, foi colocado um pontão na água e ainda um passadiço para ligá-lo à terra. Foi ainda preparada uma infraestrutura para os passageiros aguardarem pelos navios.
Entrevista de Rui Rei à RTP Antena 1Abate de navios? “Vamos ultrapassar todas as dificuldades”
Continua por resolver a situação de quatro navios convencionais que a Transtejo tem obrigação de abater, no âmbito dos dez navios elétricos que recebeu. O Ministério das Infraestruturas e da Habitação confirmou em maio, conforme a RTP Antena 1 noticiou, que o prazo para abate foi estendido até ao final do ano.

Rui Rei nunca escondeu estar contra, dizendo, em novembro do ano passado à RTP Antena 1, que era precisa “muita cautela” no abate por causa dos “compromissos” da empresa. Já este ano, ao Eco, assumiu de forma mais clara que a frota atual só será suficiente para todos os destinos que estão a ser estudados (como Parque das Nações, Alhos Vedros, Moita e Alcochete) se “não formos obrigados a abater barcos”.

Sem explicar se o prazo mudou, o presidente da Transtejo afirma que continua a trabalhar com o apoio do ministério “para se resolver algumas dessas dificuldades”. Apesar da insistência, apenas revela estar “absolutamente convencido que, em conjunto, vamos encontrar as melhores soluções para continuar a prestar este serviço”.

Questionado se será difícil manter-se no cargo caso não consiga travar o abate dos quatro navios, reafirma a confiança: "Vamos ultrapassar todas as dificuldades
e entregar a melhor oferta, e os nossos clientes vão ficar cada vez mais satisfeitos connosco."


Para já, Rui Rei diz que estará pronto um segundo ferry reparado, para servir como reserva no serviço. Trata-se de barcos que transportam automóveis. “Deixaremos de ter as supressões de serviço que de vez em quando ainda temos”, por problemas de manutenção, esperando “dentro de semanas” que os ferries funcionem “essencialmente entre Belém e Trafaria”.
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